Considerando que XCOM The Board Game é uma adaptação, vale sempre lembrar o ceticismo com esse tipo de produto. Se existe algo na cultura pop que sempre possui grandes chances de falhar são adaptações. Normalmente, as obras que levam livros famosos para o cinema são as mais felizes nesse aspecto, vide a trilogia Senhor dos Aneis e a franquia Harry Potter, embora também tenham suas bombas. O mesmo não pode ser dito das adaptações de filmes em games, assim como o inverso.

XCOM The Board Game

E quando a relação não é tão distante assim, como jogos eletrônicos para analógicos ou vice-versa? Para nossa tristeza, muitas vezes estas adaptações também deixam a desejar. O ritmo mais parado e inteligência artificial fraca normalmente atrapalha o sucesso das versões eletrônicas de board games. Quando a coisa muda de figura, o desafio fica em transmitir as mesmas sensações do jogo eletrônico para o ritmo dos tabuleiros.

Defendendo a Terra de alienígenas, agora nos tabuleiros

A exceção da regra chega na forma de XCOM The Board Game, produzido pela Fantasy Flight Games e presente no Brasil pela Galápagos Jogos. O jogo original, chamado X-COM: UFO Defense – ou UFO: Enemy Unknown – foi lançado em 1994 e colocou o jogador como comandante de uma unidade paramilitar responsável por repelir uma invasão alienígena, com extraterrestres inspirados nos filmes de ficção científica dos anos 50.

Em 2012, um reboot da série original chamado XCOM: Enemy Unknown revitalizou a série e foi aclamada por público e crítica, rendendo a sequência XCOM 2, lançada em fevereiro de 2016. É baseado nesse reboot que tivemos o jogo de tabuleiro, um dos primeiros a contar com um aplicativo para dispositivos móveis como elemento essencial da jogabilidade.

XCOM EW

Começando pelo tabuleiro e pelas peças, o resultado do trabalho em traduzir os elementos do game ficou genial. Miniaturas dos soldados correspondem às classes vistas no jogo, assim como as aeronaves humanas e aliens foram reproduzidas com fidelidade e grande precisão. Boa parte do gameplay da versão eletrônica foi traduzida para o jogo de tabuleiro, com exceção do gerenciamento da base subterrânea e dos combates por turnos entre os esquadrões, que agora são feitos em um sistema de rolagem de sucessos. As pesquisas e combates aéreos utilizam o mesmo sistema, no qual cada oponente (ou pesquisa) precisa de um número determinado de sucessos para ser vencido.

As rolagens possuem um dado que acrescenta um elemento de push your luck, que faz os jogadores pensarem se continuarão tentando alcançar um objetivo, considerando que o risco aumenta a cada tentativa. De cor vermelha e com oito lados, o dado alien é rolado com os de sucesso (de seis lados e cor azul) pode destruir ou inutilizar unidades envolvidas em uma ação específica, caso o número tirado seja igual ou menor que o nível de ameaça mostrado no tabuleiro.

Na primeira vez, apenas um 1 garante a falha, mas a cada nova tentativa o número vai aumentando, assim como as chances de perder suas unidades. O sistema representa bem as missões desastrosas onde seu tiro de 50% de chance de acerto erra e o mesmo tiro dado pelos alienígenas conferem um acerto crítico – e muitas vezes fatais – em seus comandados na versão eletrônica.

XCOM The Board Game

Será que fidelidade = qualidade em XCOM The Board Game?

Apesar da alta fidelidade na retratação dos elementos da versão original, o que torna XCOM The Board Game uma “obra de arte” é o aplicativo que rege o jogo. Através dele é que os jogadores ficam a par dos acontecimentos, das ações dos invasores alienígenas, assim como os momentos nos quais poderão alocar seus recursos.  Essas ações são feitas na fase cronometrada, pois cada decisão precisa ser feita em questão de segundos. Apesar de recomendarmos na primeira sessão jogar na primeira dificuldade – que permite pausar o cronômetro -, é com o relógio ligado que a sensação de desespero coloca os jogadores à prova.

Após o cronômetro, a audição dos recursos usados é feita e todos os embates e pesquisas são resolvidas, além de dar aos jogadores uma folga para respirar. O app não precisa da inserção de muitas informações do jogador, o que torna XCOM o mais fluído possível. Fiel, desafiador e com excelente integração dos elementos de gameplay com o aplicativo, XCOM The Board Game retira elementos difíceis de serem traduzidos para o tabuleiro, mas sem mexer nas sensações comuns àqueles acostumados com o game. Na verdade, é perfeitamente possível deixar de perceber que o título é adaptação de um videogame. Essa regra também vale para você? O que acha da versão analógica de XCOM? Comente conosco!

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