Homenagear décadas passadas é algo cada vez mais comum na cultura pop. Apenas na Netflix, já tivemos Stranger Things revivendo clássicos da década de 80 e agora o recém-lançado Everything Sucks, que faz referência à década de 1990. Esse tipo de homenagem não é raro também nos jogos eletrônicos, que eventualmente usam mecânicas que foram consagradas naquela época – como os conhecidos metroidvanias – ou se passam na época, como Crossing Souls, o novo título de aventura publicado pela Devolver Digital.

Se passando em uma pequena cidade californiana chamada Tajunga, um grupo de cinco amigos descobre acidentalmente um artefato poderoso que tem conexão direta com o mundo dos mortos. Claro que eles não são os únicos que sabem sobre o objeto e uma organização secreta pretende reaver o objeto a qualquer custo. Como não poderia deixar de ser, Crossing Souls foi desenhado em pixel art e traz uma aventura que mistura mecânicas de jogos de plataforma, ação e arcade.

Crossing Souls – lembra Stranger Things, mas não segue a mesma linha

É impossível não lembrar de Stranger Things ao falar de Crossing Souls – tanto que o citamos já no primeiro parágrafo! -, mas vale notar aqui que não estamos falando de um “Stranger Things em formato de videogame”. Apesar de ambas tratarem de realidades alternativas ou mundos que se sobrepões, a trama da Netflix possui uma pegada mais para o suspense e terror, enquanto Crossing Souls não se esforça tanto em ser misterioso.

Inclusive, vale notar aqui que, apesar do tema ser aparentemente “pesado”, Crossing Souls é recheado de momentos leves e cheios de humor. Por outro lado, isso não significa que a história é previsível do início ao fim, surpreendendo em alguns momentos e sendo capaz de emocionar. Outra tarefa cumprida com êxito aqui é o sentimento de ligação com os personagens, mesmo que em sua maioria não fujam de clichês como o “nerd inventor cientista” e “gordinho com HP maior e socos mais fortes”.

crossing-souls-capa

Simplicidade no gameplay, mas com desafios excruciantes

Crossing Souls não é, de maneira alguma, um jogo difícil. Ao longo da jornada você percebe que a intenção aqui é te guiar pela narrativa, ao invés de ficar bloqueando seu progresso. Por isso, a maioria dos desafios não exige muito de você, com exceção de alguns minigames que resolvem homenagear a dificuldade absurda dos arcades da década de 1980.

Seguindo a linha do estilo arcade, você é jogado nos minigames sem nenhuma instrução, tendo de aprender como se virar e os comandos disponíveis enquanto dá de cara na parede – algo que ocorre com frequência. Podemos facilmente dizer que os minigames de Crossing Souls são o maior desafio que irá encontrar.

Crossing-souls-minigame

Já os controles durante a jornada dos heróis é bastante simples, mas, na versão para PC, exigem que utilize um controle ao invés do teclado. No joystick, os controles são mais fáceis de utilizar e atendem aos comandos com precisão, enquanto no teclado eles são mais desajeitados, dificultando o uso de alguns dos personagens.

Falando em personagens, Crossing Souls nos apresenta a um grupo de cinco jovens, cada um com habilidades e ações próprias. Essas habilidades devem ser usadas em conjunto para solucionar alguns dos puzzles e cada um possui uma maneira diferente de combater, sendo ideais em determinadas situações ou ficando em desvantagem em outras, por exemplo.

As melhores referências de uma época

Como falamos anteriormente, as referências às obras da cultura pop da década de 80 estão por todo o lugar, principalmente nos colecionáveis, que parodiam alguns dos filmes, álbuns e games de forma genial. Vale notar aqui o trabalho incessante da Fourattic em posicionar estrategicamente cada referência no cenário, de maneira a arrancar uns bons sorrisos durante a jogatina.

crossing-souls-inicio

Porém, a necessidade de colocar referências chega a atrapalhar um pouco na narrativa. Alguns trechos que aparentam ter sido criados exclusivamente para entregar mais uma referência ao jogador. Apesar de ser divertido, fica parecendo um pouco forçado em alguns momentos.

Uma legítima história oitentista

A atenção que a Fourattic teve em fazer seus jogadores se sentirem em uma obra da década de 80 é extraordinária. Além dos gráficos em pixel art, as cutscenes do jogo possuem o mesmo estilo de arte visto em algumas obras da época, como Heavy Metal – mas sem ser indicado para maiores de 18 – e Defensores da Terra. O mesmo pode ser dito de sua trilha sonora, que talvez seja o que mais aproxima Crossing Souls de Stranger Things, reproduzindo o mesmo estilo usado em obras de suspense e mistério da época.

Por fim, Crossing Souls consegue se estabelecer como um jogo que traz os principais elementos da década de 80 à tona, não se limitando apenas às referências. Crossing Souls traz uma história de aventura juvenil fácil de acompanhar e personagens carismáticos ao melhor estilo Os Goonies, cenas em formato de desenhos como He-Man, trilha sonora semelhante a de Stranger Things – que não é da década de 80 mas traz proposta semelhante – e gameplay simples e intuitivo em um pacote só.

Leia mais reviews e artigos sobre games aqui no Hobbismo:

crossing-souls-desenho

Crossing Souls está disponível para Playstation 4 e PC. O Hobbismo testou a versão para computadores através de cópia  cedida pela Devolver Digital.

https://hobbismo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/crossing-souls-capa.jpghttps://hobbismo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/crossing-souls-capa-150x150.jpgFilipe SallesGamesCrossing Souls,Games,Review Crossing Souls,ReviewsHomenagear décadas passadas é algo cada vez mais comum na cultura pop. Apenas na Netflix, já tivemos Stranger Things revivendo clássicos da década de 80 e agora o recém-lançado Everything Sucks, que faz referência à década de 1990. Esse tipo de homenagem não é raro também nos jogos eletrônicos,...Tudo sobre seus hobbies em um só lugar!