Não há como negar o charme dos jogos antigos, mais precisamente os da era de ouro da Nintendo e Sega. Foi por volta dessa época que começaram a pipocar as primeiras publicações dedicadas exclusivamente aos videogames. Mesmo que boa parte destas revistas não existam mais hoje, elas continuam a ser celebradas e lembradas nas novas mídias, que chegaram após a popularização da internet. Um dos grupos mais ativos nessa área é a da Revista WarpZone, que começou como uma fanzine de oito páginas em 2015 e hoje já conta com site, canal no YouTube e diversas publicações impressas com biografias de personagens clássicos dos games e homenagens à figuras do jornalismo de games da época.

Para saber mais sobre como a WarpZone começou, como funciona e quais seus planos para o futuro, conversamos com o Cleber Marques, idealizador e um dos fundadores da fanzine. Além de fundar a WZ, o Cleber também é um dos maiores colecionadores das revistas de games da época, além de manter também sua própria coleção de jogos antigos.

O que é a WarpZone?

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A WarpZone é um projeto que nasceu como um fanzine de 8 páginas no final de 2015, algo feito de fã pra fã que tinha o objetivo de registrar histórias sobre os videogames no Brasil. Hoje ela é uma empresa formada por diversas pessoas além de mim e o Ivan Battesini, que é o meu sócio na empresa. Temos uma equipe de pessoas fantásticas, que fazem a mágica acontecer, e isso colabora muito para os passos que estamos dando. Sabe aquilo que falam que nada seria possível sem uma grande equipe? Aqui isso também é uma verdade.

Na essência, somos uma publicação que fala sobre jogos antigos de videogame, com uma linguagem simples, muitas vezes tão informal quanto a gente tinha nas revistas dos anos 90, e isso é o que faz da gente um warpzone com o passado. De um fanzine passamos para uma coleção com diversos livros e atualmente temos mais de 28 publicações somando quase três mil páginas escritas e impressas.

Como vocês começaram e quantos canais de conteúdo possuem no momento?

Tudo começou em 2015, quando eu, que já colecionava revistas de videogame por cerca de 25 anos, resolvi criar um fanzine que falasse sobre videogames. Queria que ela fosse algo que pudesse focar nas diversas histórias e acontecimentos que tivemos no Brasil mesmo. Depois de um dia normal de trabalho, resolvi tirar da gaveta esse projeto de ter um fanzine, pensei em um nome, na ideia geral e no resultado que eu queria ter.

Levei dias pra ter a capa do primeiro fanzine feita e aí convidei um conhecido que, no meu ponto de vista, gostava tanto quanto eu de revistas de videogame, que era o Rafael Marques. Nós não temos parentesco nenhum ao contrário do que pensam pelo sobrenome. Procurei ele porque eu sabia que não seria possível fazer nada sozinho e juntos nós fizemos as matérias do primeiro fanzine. Dali em diante fomos crescendo como publicação, outras pessoas começaram a chegar no time. No início de 2016 eu chamei o Ivan pra ser meu sócio e criamos juntos uma empresa pra fazer da WarpZone uma publicação de verdade.

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Qual o material mais desafiador que a WZ já produziu desde sua concepção?

A publicação mais desafiadora que já fizemos ainda está em produção. É um projeto especial que não comentamos em maiores detalhes com ninguém. Porém, sairá já em 2017 e nada feito no Brasil até hoje se compara a isso. Se for considerar algo já criado, principalmente em 2016, foi a gente pensar em lançar uma coleção com 3 séries de livros que totalizava 24 publicações de 100 páginas cada em apenas 1 ano.

Sei que isso se trata de um conjunto, mas estou considerando a coleção como maior desafio. No início, a gente virava madrugadas e finais de semana e mesmo assim tudo que tinha pra dar errado, dava. Depois fomos ajeitando nossos processos, conhecendo os limites e formas de trabalhar de cada um no time e terminarmos o ano bem organizados. Foi uma experiência sem igual.

E qual foi o que rendeu a história mais engraçada ou curiosa?

Conhecer as pessoas que escreviam as revistas que eu comprava nos anos 90 foi o que me aconteceu de mais interessante neste meio tempo. Com a ideia da WarpZone essas pessoas se tornaram presentes e mais próximas, entre elas o próprio Ivan Battesini da Progames, hoje meu amigo e sócio na empresa.

Conhecemos também o Fabio Santana da Gamers (hoje Relações Públicas da Capcom no Brasil), o Matthew Shirts da Supergame, GamePower e Super GamePower – popularmente conhecido como o Chefe nessas publicações – e o Paulo Montoia da Ação Games. Essas experiências não foram apenas curiosas, mas também incríveis.

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Vocês fizeram uma live para anunciar os lançamentos de 2017 recentemente. Como são planejados e selecionados as publicações de cada ano?

Fizemos a transmissão ao vivo com o intuito de compartilhar com nossos leitores o que a gente tinha pela frente e pra eles terem noção do que esperar para 2017. Encontramos nesse formato um meio de interagir mais durante um anúncio tão importante e que funcionou muito bem.

Foi através da live que a gente pôde perceber no que a galera tinha mais dúvidas, o que causou mais ansiedade nos leitores. Até o momento da transmissão tudo era planejado por mim em um primeiro momento e discutido em seguida com o time. Refinávamos algumas decisões e fazíamos as alterações devidas. Porém, durante a live, anunciamos o Clube WarpZone, projeto de financiamento coletivo recorrente que visa trazer o leitor para dentro da equipe editorial.

Entre os diversos níveis (estipulados pelos valores de contribuição financeira) de associação temos os mais altos que possuem entre suas recompensas a possibilidade de ajudar o time da WarpZone na decisão de temas, personagens, lista de jogos e entre outros detalhes, das futuras publicações. Isso funciona através de um grupo secreto no Facebook chamado Redação Virtual.

A galera se sente mesmo parte do time e de fato o são. Através desse grupo, já mudamos cor, capa e diversos detalhes. Eles fazem com a gente um tipo de reunião editorial virtual que funciona muito bem. Conheça o projeto de financiamento coletivo recorrente do Clube WarpZone.

Como tiveram essa ideia?

Complementando a ideia da Redação Virtual que eu apresentei na pergunta anterior, esse clube nasceu pra gente trazer para os dias de hoje mais um pedaço dos anos 90 que adorávamos, os Clubinhos. Acabamos de lançar esse financiamento coletivo e ele era um desejo nosso de quase um ano. Juntamos nessa iniciativa a possibilidade das pessoas apoiarem nossas publicações da forma mais direta possível, sendo patrocinadores do trabalho feito.

Ao se tornar sócio, cada pessoa pode escolher o nível que couber no bolso dela para contribuir mensalmente. Em retribuição, essa pessoa recebe diversas recompensas como vídeos exclusivos, carteirinha, jornalzinho bimestral, posteres mensais e brindes diversos.

Além disso, quem contribui com o projeto tem seu nome impresso como apoiador nos livros, participa ativamente das definições e muito mais. Foi algo criado pra termos uma alternativa para equilibrar os altos custos que temos para mantermos um projeto como a WarpZone nos dias de hoje. Também usamos o clube para estreitar nossa relação com os leitores mais apaixonados, assim como nós somos, pelo tema dos jogos antigos e suas publicações.

Hoje a WZ tem uma comunidade bastante participativa no Facebook. Ao que credita uma paixão tão imensa pelas publicações e videogames de 20 anos atrás?

Tem mesmo, achamos muito legal essa movimentação social que acontece através de todos os canais criados pela WZ. Público pra esse tipo de assunto é o que mais tem e a galera de hoje em dia viveu uma das melhores épocas dos videogames. Eles estão juntos com a gente, tem muito saudosista, muito colecionador, muito curioso e muita gente nova também.

Nós acreditamos que essa paixão toda atualmente existe pelo fato de queremos voltar a consumir um conteúdo simples como era feito nos anos 80 e 90, mas que é muito difícil de encontrar hoje em dia. Quando esse pessoal percebe que a WZ é feita por gente como eles, que viveu aquela época, que ama aquilo que foi feito como consumidor, que tudo é feito de um fã para outro fã, na hora essas pessoas percebem que ali é o lugar delas também.

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A WarpZone nunca foi um projeto comercial, e hoje só o é pela burocracia de ter contas para pagar. Porém, a paixão pelos jogos antigos e o que é feito ali mantém a WZ e seus leitores tão próximos e interagindo de forma incrível, adoramos isso.

Como começou a colecionar e o que te levou a colecionar revistas e não jogos antigos?

Eu também coleciono consoles e jogos antigos, possuindo atualmente mais de 500 itens. Mas eles contam com uma particularidade: são, em sua maioria, nacionais. Claro que também tenho muito itens que fogem a essa regra. Digamos que eu comecei essa coleção antes das revistas, nos anos 80, e até hoje estou aí firme e forte! (risos)

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Sobre as revistas de videogame, eu sempre gostei muito de ler e desenhar, não lembro desde quando exatamente, mas sempre acompanhei o meu pai uma vez por semana indo nos sebos da cidade onde a gente morava pra comprar gibis usados. Era Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey e muita Turma da Mônica. Com isso, peguei o costume de sempre frequentar sebos e bancas de jornal, atrás de gibis. Certa vez, uma revista me chamou a atenção numa banca, porque até então eu só tinha olhos pros quadrinhos, com um grande monstro verde na capa.

Essa revista era a GamePower nº 1 com o Blanka na capa, lançada em julho de 1992. Eu estava com 9 anos de idade na época, mas o que me chamou mesmo a atenção não foi exatamente o Blanka, mas sim uma foto do Super Mario no pé da revista. Eu já era fã incondicional dele, eu era nintendista desde os meus testes oficiais na eletrônica do meu pai.

A primeira edição que fui comprar com o meu próprio dinheiro, já que eu tinha comprado outras revistas de videogame antes, foi quase um ano depois, por volta de junho de 1993. Foi a GamePower nº 12, novamente com Street Fighter na capa – uma das mais belas capas já lançadas até hoje, na minha opinião. De lá pra cá, fui comprando conforme sobrava dinheiro, ou seja, quase nunca, porque eu nunca tinha dinheiro. (risos)

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Mesmo assim, sempre que sobrava algo, a prioridade era ter uma revista em mãos. De forma geral, as revistas de videogame me ganharam pela magia que elas tinham naquela época que era de levar você pra dentro de um jogo, sem precisar ter o videogame ou a fita. Isso era maravilhoso.

Quantos itens possui hoje em sua coleção, entre jogos antigos e revistas da época?

A coleção de revistas de videogame já passou de três mil exemplares. Meu principal objetivo sempre foi registrar todo o material jornalístico sobre videogames já feito no Brasil, então, se era impresso, lá estava eu comprando ou adquirindo de alguma forma. Guardo minhas revistas bem limpas, protegidas e estocadas, no formato de uma biblioteca mesmo, pois, quando preciso de algo, alguma edição específica, eu sei qual é a localização dela e consigo fazer minhas consultas em segundos.

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Agora, tenho os meus consoles de videogame, que passam de 10 e os meus jogos que passam dos 500. Sei que não é uma coleção muito grande, mas compete muito bem o espaço com as minhas revistas no escritório.

Qual o item que mais deseja no momento?

Não tenho apenas um item que eu desejo muito, colecionador é meio maluco, você sabe, a gente sempre tem uma lista de coisas que faltam na coleção. Mas, se tiver de escolher algo que eu gostaria muito de ter, certamente seria o primeiro exemplar do fanzine Nintendo FUNCLUB. Esse fanzine foi o embrião da publicação norte americana Nintendo Power. Me faltam os 2 primeiros números, mas um dia eu consigo!

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Como a gente encontra a WarpZone e você nas redes sociais para falar de jogos antigos?

Estamos fisicamente em um escritório na Barra Funda, bairro aqui de São Paulo. É fácil nos encontrar na internet, podemos ser encontrados no Facebook, Youtube e Twitter e nossas revistas podem ser compradas em nossa loja virtual, situada em nosso site.

Depois de falarmos com o Cleber sobre como a WarpZone revive a era das revistas de videogame e, consequentemente, dos jogos antigos retratados nela, temos uma pergunta para você: qual sua relação com esse tipo de material da década de 90? Assim como o Cleber, também checava todas as bancas pelo caminho pela sua revista favorita? Ou já começou a acompanhar esse tipo de conteúdo na internet e nunca teve contato, mas muita curiosidade? Comente conosco logo abaixo e não deixe de compartilhar nosso bate-papo nas redes sociais!

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