“Os aventureiros estão seguindo em sua campanha de se infiltrar disfarçados no baile de nobres do palácio, pois sabem que o tirano barão Baltus estará lá tentando usar de seus argumentos e recursos para manipular outros nobres com sua ambição de explorar as terras do sul, onde vivem os gnomos. Para salvá-los, os aventureiros precisam entrar no local sem serem reconhecidos ou poderão ser presos ou mortos ocasionando o fracasso da missão.

Assim, a maga tem a ideia de conseguirem se disfarçar de nobres, mas precisarão de dinheiro para uma carruagem e roupas pomposas. O roubo é arriscado, uma vez que precisarão estar lá tempo suficiente para se aproximarem do anfitrião do baile e avisá-lo das ambições do barão Baltus. Assim, calculam que para uma boa carruagem e bons disfarces, gastarão uma quantidade de ouro que não tem à disposição atualmente. O que o grupo fará?”

Esse é um exemplo do narrador impondo uma situação emergencial de administração de recursos para os seus jogadores numa aventura medieval. Eles precisam pensar em como conseguir ouro suficiente para a compra de uma carruagem e bons disfarces e, assim, entrar no baile de nobres como convidados.

Claro que a imaginação dos jogadores e do mestre poderia facilitar ou dificultar esse puzzle na sessão de jogo, mas o foco no artigo é falarmos sobre como os jogadores e narradores lidam com o dinheiro em suas campanhas. Usamos o exemplo de aventura medieval, mas vale para qualquer tipo de ambientação.

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O dinheiro inicial na construção do personagem

Em jogos de fantasia medieval, após a criação da ficha e da história do personagem, existe o sistema de ouro inicial que fica à disposição do jogador. Esse recurso serve para comprar equipamentos e acessórios para seu personagem no primeiro nível.

Assim, o personagem pode iniciar suas aventuras com algum suporte para enfrentar os desafios e monstros que surgirem durante a sessão de RPG. Entretanto, é importante para os participantes da missão guardarem algum dinheiro para as eventualidades, como suprimentos, estadias em estalagens e até mesmo comprar armas e poções de cura.

Quando a narrativa valoriza a administração dos recursos para facilitar o acesso dos personagens, como subornos para conseguir informações valorosas, itens de suporte ou mesmo a contratação de mais pessoal para o grupo durante a missão dada, passa a ser interessante para o grupo se importar com o dinheiro e itens que possuem. Neste momento, entram as habilidades profissionais dos personagens.

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O que fazem para ganhar a vida quando não estão em missões? Até os mercenários não são contratados para arriscar a vida nas 24 horas existentes do dia e, nos momentos de “vacas magras”, precisam de conhecimento ou habilidades para fazer algum dinheiro.

O bardo tem suas habilidades artísticas para entreter o público e ser pago pela sua cantoria e dança na taverna e o ladino pode tentar roubar vítimas incautas. Mas quando o personagem não tem essas habilidades ou não é possível usá-las em determinados locais, ele pode investir em trabalhos manuais, serviços de guarda e segurança, curandeiros ou escribas para quem não sabe ler e escrever, entre outros.

Isso significa que é mais interessante pensar no guerreiro com habilidades de forjar ferro e fabricar armas e armaduras do que apenas ser um combatente em tempo integral, como se o mesmo não tivesse qualquer momento de fazer outra coisa que não seja estar à caça de aventuras. Que tal o mago que trabalhe como um tradutor de livros e textos em idiomas estrangeiros e de povos antigos? Ou o clérigo ser um curandeiro semelhante a um médico, ganhando a vida ajudando pessoas por onde passa, estando muito além de procurar encrencas em prol da filosofia de seu deus.

Usando habilidades como profissionais

Na ambientação mais contemporânea, onde os jogos são nos dias atuais ou em épocas futuras, as atividades profissionais são o meio mais “estável” para conseguir dinheiro. Geralmente, os personagens possuem algum emprego ou atividade que os faça obter algum recurso, nem que seja através de heranças ou provenientes de atividades ilícitas.

Mas quando há profissões no background do personagem, ele passa a ter salário juntamente com as vantagens que sua profissão pode fornecer. Quando o jogador interpreta um detetive ou policial, essa é uma atividade que rende salário e benefícios de alguém que trabalha para a lei.

Mesmo que o personagem possa agir de forma duvidosa para conseguir algo, a idoneidade do personagem não é a questão. Ao solucionar casos, vai sendo reconhecido como investigador habilidoso e aumentando seu suporte para outras missões, número de contatos ou influência nas suas redes de informações.

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Outra situação que podemos exemplificar é quando o personagem vende seus serviços temporários, como um hacker sendo contratado para invadir sistemas de redes de grandes corporações e sistemas de um governo. Ainda que seja de forma considerada ilícita, a habilidade do hacker em invadir sistemas de computadores terá valor para conseguir as recompensas que seus contratantes o recrutaram. Mas é importante ficar atento para esse tipo de risco, quando o valor da missão é muito alto, durma de olhos abertos!

Administrando o dinheiro no RPG e suas posses

Um costume frequente de jogadores em determinadas campanhas, independente do cenário é o gasto elevado com armas e equipamentos de combate. Se armar acaba sendo mais importante que outros acessórios de transporte, itens medicinais ou instrumentos tecnológicos que não sejam voltados para ataque ou defesa.

Entretanto, podemos diferenciar isso nos estilos de personagens, como o hacker que possui menos força física ou habilidades de combate armado, mas investe em conhecimentos tecnológicos e ótimos equipamentos. Já a espiã precisa de itens e vestimentas que auxiliem na invasão de locais em seus disfarces, suporte para entrar nos estabelecimentos que talvez um bom patrono possa fornecer.

Usar esses itens de forma consciente, bem como pagar o preço elevado deles, são boas estratégias para o narrador desafiar os seus jogadores durante a campanha. Não é só de armas e armaduras que seu dinheiro no RPG serve.

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Como você usa o dinheiro no RPG em suas campanhas?

Mas até quando o patrono dos jogadores estará disponível para dar o que precisam? Será que os inimigos irão permitir que eles tenham acesso a todo o suporte da rede de internet sem tentar usá-la contra eles? Sempre terão à disposição poções de cura e flechas para seus arcos?

Essas são questões interessantes para os narradores pensarem quando planejarem a parte de administração de recursos nas suas campanhas de RPG. Como estimular seus jogadores à sobreviver com a escassez desses recursos também é uma proposta interessante para deixar uma partida mais emocionante. Já teve algum momento interessante envolvendo a administração de recursos na sua sessão de RPG? Conte pra gente!

E desejamos a todos…

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