Lançado no final de abril desse ano, The Swords of Ditto é mais um título que mostra que a Devolver Digital está indo em uma direção diferente do que alguns de seus principais jogos, caracterizados por boas doses de violência e brutalidade, como a franquia Hotline Miami e Shadow Warrior. Por outro lado, continua a ser uma característica forte da publicadora apostar em jogos que não seguem fórmulas nem estruturas universais, como vimos em Minit e Crossing Souls, uma ode à cultura pop da década de 80.

O recente The Swords of Ditto também mostra que não é apenas de sangue e vísceras que a publicadora vive, apostando frequentemente em títulos roguelike, uma tendência bastante atual e que parece ter vindo para ficar. É impossível não se afeiçoar aos personagens da ilha de Ditto, até mesmo sua notória vilã, que retorna a cada 100 anos para assombrar seus moradores.

A maldição de Ditto

No papel de um desconhecido aleatório, você descobre que é a predestinada “Espada de Ditto”, devendo lutar contra uma temível feiticeira para assegurar a paz durante 100 anos na ilha de Ditto, acometida por uma terrível maldição. Porém, o tempo para se preparar é bem curto e você tem apenas 5 dias para recolher brinquedos lendários e quebrar os cristais que dão força à vilã.

Caso não tenha feito isso, o combate será consideravelmente mais difícil, mas não impossível de ser vencido. A história é bastante simples e justifica a mudança do seu personagem, do cenário à sua volta – já que se passam 100 anos toda vez que completa um ciclo de enfrentamento, tenha você vencido ou sido derrotado pela Mormo – e até mesmo do comportamento dos habitantes.

Por exemplo, quando seu personagem derrota a feiticeira, no século seguinte uma estátua do herói que usou fica erguida no meio da cidade, onde deverá retirar a espada de Ditto e se tornar o próximo predestinado a salvar a ilha. Se perdeu ou foi morto antes mesmo de encará-la – o que é mais provável do que morrer em combate -, terá de ir ao cemitério e encontrar o túmulo de seu antepassado para começar a jornada.

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Não apenas isso, mas as conversas dos cidadãos também mostram a diferença entre ter um século de liberdade e um século de opressão. Enquanto no mundo pacífico os cidadãos tendem a comentar mais sobre frivolidades, o mundo atormentado por Mormo normalmente reclama da bagunça que os monstros fizeram e…reclamam de não poder mais ter suas frivolidades disponíveis.

A narrativa é simples, mas vencer a Mormo não é o suficiente para dar o jogo como terminado. A real tarefa em The Swords of Ditto é descobrir o mistério por trás da maldição secular – ou milenar, se viver mais de 10 vidas.

Um Zelda cooperativo e roguelike

Ver o modo cooperativo de The Swords of Ditto é lembrar dos Zeldas bidimensionais, em especial títulos como Four Swords Adventures e Tri Force Heroes. Não é a toa, já que o título da Onebitbeyond tem como Zelda sua principal referência no quesito jogabilidade.

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Isso fica bastante evidente ao desbravar as dungeons do mapa, com mecanismos que são ativados por equipamentos – aqui chamados de Brinquedos Lendários – em específico, além de baús e tesouros que algumas vezes ficam fora do caminho de seu guerreiro predestinado. Esses equipamentos também são bastante efetivos em combate, principalmente se usados em conjunto com elementos do cenário.

Apesar de ser um roguelike, a sensação de estar fazendo a mesma coisa repetidamente é nítida à medida que avançamos no game. Mesmo que os cenários e dungeons sejam diferentes, elas não chegam a apresentar tanta diferença assim e os inimigos e chefões também não são muito variados. Após pouco tempo, você já terá visto a grande maioria do conteúdo do game.

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Tempo – um adversário pior que a Mormo

Nenhum inimigo é tão difícil quanto o tempo, principalmente considerando o sistema de níveis em The Swords of Ditto. Apesar de oferecer um acréscimo à força e aos pontos de vida do seu personagem, o principal uso do sistema é apenas para evitar que simplesmente entre nos calabouços e pegue o que é necessário para enfrentar a vilã.

Por outro lado, isso faz com que acabe entrando em um sistema de grind, ou seja, fique apenas a derrotar monstros para subir rapidamente de nível. Considerando a superficialidade desse sistema, ele acaba sendo um tiro pela culatra, tornando o jogo – que já é desafiador – mais difícil do que deveria ser.

Apesar de ter que correr contra o tempo, também precisa gastá-lo para conseguir avançar para as dungeons, o que acaba gerando frustração e interrompe o ritmo de exploração. E o pior, os inimigos são automaticamente ajustados de acordo com sua força, oferecendo o mesmo desafio independente do nível que esteja. Mesmo que exista uma mecânica para adiar o fim da cronometragem em um dia, esses aspectos parecem quebrados.

The Swords of Ditto conquista pela sua fofura e efeitos sonoros

Apesar desses problemas no gameplay, a experiência de The Swords of Ditto no geral é bastante satisfatória. Os combates são desafiadores e, mesmo com a pouca variedade, os inimigos exigem que esteja concentrado e use diferentes estratégias para derrotá-los. Porém, o que me conquistou foi a direção de arte, músicas e efeitos sonoros, que nos fazem vomitar arco-íris.

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Todos os desenhos, escolhidos, inimigos e habitantes de Ditto possuem um charme e carisma impecáveis e é inegável a vontade de ter uma pelúcia de algum deles, mesmo que seja o zumbi. A música é bastante agradável e é excelente para manter o ritmo e o foco na jogatina, sem que se misture ao ambiente e se torne inexpressiva. Os efeitos sonoros também são outro show à parte, e não foram poucos os momentos que assobiei junto ao usar o apito que chama o ônibus, usado no fast travel do jogo.

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Veredito – Carisma e charme inegáveis, mas cansativo

The Swords of Ditto te convence a jogá-lo por conta de seu charme e fofura irresistível e é um jogo bastante divertido durante algumas horas. Porém, eventualmente ele passa a se tornar cansativo, já que não existe muita variedade além de explorar a ilha e os calabouços atrás dos cristais da Mormo. Apesar de contar com missões alternativas, elas seguem o padrão de “matar X monstros” ou “entregar item de personagem A para personagem B”.

A mecânica de contagem regressiva também é uma excelente injeção de adrenalina, mas acaba se tornando desesperador nos desafios finais do game, principalmente porque, ao término da contagem, você é obrigado a enfrentar a Mormo e deverá recomeçar a exploração independente do resultado, ficando apenas com os itens e uns bônus caso vença a disputa.

Por fim, The Swords of Ditto é um título divertido e muito gostoso de se jogar, mas careceu de mais conteúdo para prender o jogador à tela.

The Swords of Ditto está disponível para Playstation 4 e PC. O Hobbismo testou a versão para PC através de cópia gentilmente cedida pela Devolver Digital.

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