Em 2091, a tecnologia e a dependência dela é capaz de coisas incríveis… e imorais, entre elas hackear um protagonista que usa uma máscara holográfica e dar um único comando, que engatilhará os eventos do game: KILL BOSS. Esse é o ponto de partida de Ruiner – Ugly Heart, jogo de estreia da desenvolvedora Reikon Games.

Com um cenário Cyberpunk, Ruiner respeita muito bem as características do estilo, combinando alta tecnologia com a baixa qualidade de vida de um mundo controlado por mega corporações, em óbvia referência a obras do gênero, principalmente Akira. Além disso, Ruiner reforça essa distopia tocando em assuntos inerentes à sociedade, como o valor quase nulo que é atribuído a uma vida humana. Porém, o valor da sua vida está atrelado quanto você possui, um aspecto muito bem explorado pelos desenvolvedores.

Sua carteira define quem você é

Ainda no prólogo, você se desvencilha do hacker que te controlou com auxílio de uma outra personagem chamada HER, já que sair do domínio do vilão não saiu barato para seu corpo. É a partir daqui que você entra em contato pela primeira vez com o sistema de progressão do game, ao fazer seus primeiros reparos e acessar as primeiras melhorias.

É aí também que o subtítulo acima começa a fazer sentido, no sistema de progressão. Em outras palavras, o que terá na carteira e sua experiência de combate definirão o quão forte seu personagem poderá se tornar, através da fusão das duas “moedas”, que se fundem em uma única entidade: Karma.

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O Karma pode ser adquirido em quase tudo que se faz no jogo, seja na história principal, em missões secundárias ou, inclusive, revisitando os estágios já superados. Alcançando certas quantidades de Karma você acessa novas habilidades, algo semelhante ao sistema de experiência tradicional. Mas existe uma pegadinha aí e sua carteira sofrerá com isso!

Essas habilidades são representadas por implantes cibernéticos e seus aprimoramentos comprados com Karma, ou seja, sua conta bancária também entra nesse esquema. Até mesmo entrar no “bar” mais estiloso do Sul de Rengkok é relacionada ao seu nível de Karma. Ou seja, dinheiro traz felicidade em Ruiner. Apesar do futuro distópico do cenário indicar o quanto isso é ruim para a sociedade no jogo, em questão de sistema e andamento do gameplay a união casa muito bem.

Download… Complete!

Durante o prólogo algumas habilidades são desbloqueadas e devidamente apresentadas ao jogador em um tutorial muito fluído e decente, sem deixar dúvidas. Os controles não têm muito mistério após a apresentação dos dois principais métodos de ataque. O primeiro deles é o corpo a corpo, inicialmente utilizando um belíssimo cano de metal.

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A segunda forma de ataque é utilizando uma pistola homônima ao jogo. Existem diversas outras armas com características próprias. Apesar da variedade, todas as armas são descartáveis. Mesmo assim, o que não falta são armamentos espalhados pelo chão. Vale notar a sacada da Reikon em adicionar um sistema de bullet time cada vez que pega alguma arma. Ou seja, sua estratégia também poderá girar em torno das armas disponíveis no chão.

Ruiner conta com um sistema de habilidades multifacetado, que permite adequá-las a seu estilo de jogo, mas é possível – e recomendado! – mudá-las a qualquer momento. Embora não tivesse dificuldades ao longo da história, fui obrigado a mudar minhas táticas após encontrar um inimigo (um ex-youtuber) que me derrotou QUATORZE vezes, destruindo meu ego no processo. Após o ocorrido, passei a cuidar e adaptar melhor minhas habilidades aos desafios propostos.

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O combate acontece no melhor estilo top-down, relembrando clássicos como Diablo e Hotline Miami, outro dos principais títulos sob a tutela da Devolver Digital. Sua jogabilidade é responsiva e muito adequada à velocidade do jogo, que é acompanhado de uma trilha sonora muito bem produzida. As avaliações que HER, a hacker que o salvou, faz ao terminar um encontro e comentários feitos ao morrer são características que deixam os combates mais divertidos.

Parece superficial, mas traz um enredo profundo

 O início de Ruiner tem um tom bem clichê, tanto que cheguei a acreditar que eu apenas me preocuparia com a jogabilidade, mas fui surpreendido com um banco de dados no menu. Ele contém descrições sobre as armas, NPCs, inimigos, habilidades e elementos de seu universo com uma riqueza inesperada para um jogo do gênero.

Além disso, durante sua evolução, o enredo se torna denso ou até mesmo pesado, deixando o clichê apenas para a parte inicial do jogo. O protagonista se comunica apenas pela sua máscara holográfica e alguns gestos. Apesar de falantes, não há dublagem no jogo, com os diálogos sendo conduzidos apenas por texto, o que não chega a ser um problema, já que são expressivos e suas emoções ficam claras durante as conversas, principalmente HER, que também abusa dos emoticons.

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Ruiner, uma belíssima estreia da Reikon Games

Apesar de ser o título de estreia da Reikon Games, a equipe que produziu Ruiner é composta por membros experientes que souberam utilizar muito bem o poderio da Unreal Engine. O estúdio conseguiu criar uma experiência incrivelmente agradável e fácil de aprender. A trilha sonora é muito bem trabalhada e tem um ajuste fino com o fluxo dos combates.

Trata-se de um jogo que não peca em nada no quesito diversão e apontaria apenas dois defeitos: a pouquíssima exploração de batalhas contra o tempo e o fato de ser totalmente linear. O curioso é que, para um game linear, Ruiner traz um universo recheado de informações. Será que a Reikon Games pretende investir na construção deste mesmo universo em próximos títulos? Confesso que se a resposta for positiva, eu vou correndo jogar! ε=ε=┌( ^ – ^)┘

Ruiner foi testado no Playstation 4, mas também está disponível para PC e Xbox One. O que achou do game? Comente conosco e compartilhe nossa review!

Confira outras reviews no Hobbismo:

“A review é de autoria do streamer Pablo “Takone” Araújo. Confira seu canal no Twitch e acompanhe seus gameplays!”

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