Que o RPG é um jogo de interpretação de personagens nós já sabemos. Também sabemos que é divertido e emocionante quanto à interação entre os participantes dos jogos e aventuras. Há os dados exóticos e diferentes dos de 6 lados que estamos acostumados. Apesar de todas essas vantagens, há como expandir os horizontes do RPG, usando-os em outras aplicações. Dessa vez, resolvemos mostrar como usar o RPG na psicologia pode ajudar no processo terapêutico.

Jogadores de RPG desenvolvem uma forma de idealizar um mundo com seres fantásticos, sociedades e raças diferentes da nossa, com problemas que ultrapassam o comum de nossa realidade. Se colocar no papel de um herói ou heroína faz parte da diversão, assim como aqueles que preferem ser vilões e extravasar seus descontentamentos causando barbaridades no mundo imaginário – e não faltam motivações para te inspirar.

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Essas características do RPG, especialmente pelo estímulo à interação e ao contato com os participantes, tornam o jogo de interpretação de personagens muito indicado por profissionais da educação e da saúde mental. Considerando que sua proposta é o estímulo ao trabalho em equipe, especialmente os de fantasia medieval no qual o foco é o heroísmo.

Há vídeos circulando na internet sobre o uso do RPG na educação, ou seja, em salas de aula sendo usado como uma forma diferenciada de ensino aos alunos, como pode ver nessa pesquisa do site da Universidade Federal Fluminense e no site da Universidade Federal do Espírito Santo. Recentemente, publicaram outro vídeo de narradores de RPG criando uma aventura para jovens autistas nos EUA. O vídeo está em inglês, mas os responsáveis pelo mesmo afirmam que há boas respostas dos participantes na narrativa.

Expandindo os horizontes do RPG na psicologia

Falando de experiência recente como psicólogo, já realizei algumas aventuras narrativas com uma criança diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) que não conseguia se manter focada em nenhuma atividade, segundo a família. Com isso, foram narradas para este três sessões de aventuras sem o uso de dados ou mapas, apenas um estímulo a contar uma história com o objetivo de chegar ao final de forma estruturada com o intuito de manter a criança focada naquela atividade.

O caso da criança, de apenas sete anos de idade, era delicado por conta de problemas familiares em que tinha de lidar com pais separados há pouco tempo e a relação difícil que os mesmos tinham um com o outro. Mas, além da psicoterapia, me ocorreu a ideia de trazer os elementos do RPG para a sessão, que começou a dar mais certo o trabalho com ele.

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No início houve um pouco de dispersão e resistência do paciente, mas quando fomos desenvolvendo a história e a interpretação dos personagens, em que havia um reino que ele precisava salvar e usávamos a brincadeira de “adedonha” como “rolagem de dados”, o menino foi dando mais atenção ao jogo e se divertindo, começando a focar na atividade. Além da criança realizar o objetivo de chegar ao final da história como foi proposto, o uso do RPG como ferramenta psicoterapêutica pode ser unida ao lúdico, sempre levando em conta a seriedade do compromisso com a narrativa. Devo dizer que foi interessante e eficaz no caso do atendimento psicológico com essa criança em específico.

O que quero dizer com este artigo é que o RPG, para além do lazer entre nerds, pode ser usado como forma de ensinar as pessoas no aprendizado escolar, no atendimento psicológico individual ou em grupo e até mesmo em instituições como prisões. Para encerrarmos, confira abaixo outro vídeo do YouTube mostrando o uso do RPG de maneria terapêutica e educativa.

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E você, tem alguma outra ideia para o uso do jogo de interpretação? Que tal contar alguma experiência ou novas informações sobre o RPG na psicologia? Comente conosco!

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