Em 2016, a Devolver Digital lançava um dos games mais curiosos e únicos de seu catálogo. Usando a mecânica de deslizar um cartão para a direita ou esquerda, popularizado pelo Tinder, ele trocou os matches por decisões que afetam a vida de um reino medieval. Reigns cativou pelos seus diálogos hilários, decisões esquisitas e diversas formas de morrer e, em 2017, sua sequência Reigns – Her Majesty repete o feito, mas dessa vez te colocando no papel da rainha.

Assumindo o reino de maneira empoderada

Reigns – Her Majesty segue a mesma linha de seu antecessor. Através de decisões bilaterais – da mesma maneira que você dispensa crushs no Tinder -, você deve manter o equilíbrio entre os quatro poderes que fazem parte do seu reinado: igreja, povo, exército e mercado. Dar excessiva força ou deixar algum desses setores morrer resulta no fim de sua rainha, que é sucedida pela próxima de sua linhagem. Mas não se engane: esse jogo não é Dark Souls, mas você eventualmente irá morrer.

Tanto que as diferentes formas de morrer fazem parte dos colecionáveis do jogo, logo, não se acanhe em experimentar fazer tudo errado – mas de formas diferentes – para completar 100% do título. Assim como no antecessor, três tipos de coleções existem: as já mencionadas formas de morrer, seus feitos como monarca e os retratos de personagens e locais que encontra durante suas sessões. À medida que desbloqueia novos feitos, novos cartões de decisão são desbloqueados para suas monarcas.

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O título não se intimida ao parodiar questões sociais atuais, mas dá a liberdade da jogadora agir como quiser. Queira você ser uma rainha cristã fervorosa ou a mais lacradora das monarcas, suas decisões podem ser tomadas de acordo com suas crenças ou de maneira mais pragmática, necessária para desbloquear 100% do jogo.

Escola de Magia e Bruxaria Reigns – Her Majesty

Considerando um título que o coloca como rainha em uma era medieval permanente, obviamente que a magia e bruxaria estariam presentes aqui, em diversas formas. Além da Igreja, outras facções religiosas também surgem e deverão ser gerenciadas. Druidas hippies que servem à Mãe Terra ou bruxas clássicas irão cruzar seu caminho, oferecendo diversas opções e itens mágicos que podem aplicar a outros personagens. Mas é claro que a Igreja não ficará nada feliz ao favorecer essas facções.

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Porém, sua presença dá um pouco mais de profundidade ao game, que passou a contar com um ciclo de signos. Cada vez que morre, a próxima rainha será do signo seguinte no relógio zodiacal – uma rainha ariana sucede uma rainha pisciana, por exemplo – e o signo sob qual nasceu possui influência nas decisões e pode ser usado para desbloquear novas cartas e conquistas ao longo do jogo.

Apesar da proposta de Reigns – Her Majesty parecer demasiada simples, nossa recomendação é que jogue com um caderninho de anotações ao lado. A profundidade do título é bem maior do que aparenta e, se quiser desbloquear 100% dos itens, é importante usar lembretes. Informações dadas por personagens podem levar bastante tempo para serem usadas e, confesso que, por algumas vezes, perdi diversos minutos – e rainhas – simplesmente por ter esquecido alguma instrução dada em uma sessão anterior.

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O perigo de se tornar enfadonho

O grande defeito de Reigns – Her Majesty pode acontecer justamente se perder ou esquecer alguma informação importante. O título é extremamente divertido à medida que descobre novos diálogos e personagens no início do jogo, permitindo que simplesmente tome as decisões de acordo com seu próprio compasso moral. Porém, para conseguir descobrir todas as cartas e desbloqueáveis, sua abordagem terá de ser pragmática e, mesmo assim, ainda terá dificuldades em se manter viva.

O problema disso não é a dificuldade em si, mas a constante repetição de perguntas que já tenha visto antes e as poucas mudanças que acontecem até conseguir desbloquear algo novo, que vai tornando a experiência mais enfadonha e cansativa. Assim como o antecessor, Reigns – Her Majesty te vence pelo cansaço da repetição.

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Mesmo estilo artístico e sons, mas nós gostamos assim

Reigns – Her Majesty conserva o estilo de arte do antecessor, assim como seus efeitos sonoros e música. O que está muito longe de ser um problema, muito pelo contrário, já que esse estilo é um dos elementos que torna a franquia única. Apesar de não ter diálogos falados – os sons de fala normalmente são incompreensíveis, tal qual o idioma dos Sims -, o som se mescla perfeitamente ao título, sem interromper o ritmo ou ser sonolento.

Por fim, Reigns – Her Majesty é um retorno bem-vindo da franquia, que, apesar de não inovar em suas mecânicas, mantém a criatividade dos textos, mantendo seu charme e comédia no nível certo. Disponível para PC, Android ou iOS com textos em português, o game é perfeito para levar a uma reunião e ver como cada um irá tomar suas decisões e ver suas divertidas consequências ou mortes. Serão suas rainhas queimadas pela igreja acusadas de bruxaria ou guilhotinada pelo povo ao melhor estilo Revolução Francesa?

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Nota final: 8,5

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