Vampiros, fantasmas, liches… A morte não é o fim da existência para essas criaturas, mas o início de uma nova história. Monstros que são retratados como seres que se alimentam de carne humana, essência espiritual dos vivos, emoções e outras fontes de energia, levando suas vítimas para a morte final ou a decadência mental completa. Por isso, a figura dos mortos-vivos como oponentes ou sendo interpretados por jogadores em campanhas de RPG podem ter uma história simples ou complexa, dependendo do tipo de narrativa a ser jogado.

Tais criaturas se dividem em seres corpóreos, que possuem matéria e um corpo físico, como os vampiros, zumbis, múmias, esqueletos e liches. Já os incorpóreos são aqueles que são feitos de ectoplasma, como os espíritos, fantasmas e espectros, dentre outros.  Vamos falar sobre esses personagens que são bem famosos no público rpgista, especialmente em RPG’s do Mundo das Trevas ou como inimigos de grupos de aventureiros em fantasia medieval, sobretudo para personagens de classes como Clérigos e Paladinos de deuses bondosos.

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Vampiros

Criaturas humanoides que se alimentam do sangue das vítimas humanas, retratados de forma diferente em várias culturas, sendo o Drácula o representante mais famoso desses mortos-vivos. Em geral, os vampiros são descritos como seres belos, sedutores e acabam se apaixonando por uma determinada presa. Grande parte de obras da cultura pop traz essa abordagem para o público infanto-juvenil, mas há outras que retratam o vampirismo mais voltado para o horror pessoal de uma criatura que vive nas trevas e é imortal.

Há histórias dizendo que, na Romênia, quando uma criança nascia com alguma deformidade ou anomalia inaceitável para os padrões da época, era considerado um sinal de mau presságio e, por isso, muitas crianças eram mortas como forma de precaução. Ou seja, a superstição excessiva fazia com que as pessoas tomassem ações bárbaras contra seus iguais. Apesar desses acontecimentos terríveis, muitas dessas histórias reforçaram as lendas sobre os vampiros que até hoje fazem muito sucesso entre os fãs de literatura gótica e de terror.

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No RPG, há vários títulos que trabalham as lendas de vampirismo, podendo ser interpretados como personagens jogadores ou tratados como inimigos da humanidade. A principal e mais famosa linha de RPG que trata sobre essas criaturas é Vampiro: A Máscara. Criada pelo autor Mark Rein Hagen (linha storyteller) no ano de 1991, tratando-se da disputa política entre clãs de vampiros pelo domínio de territórios e dos recursos humanos da Terra.

Isso tudo misturado ao fato de ter que lidar também com o horror pessoal de viver uma imortalidade amaldiçoada. São 13 clãs principais e outras linhagens formadas a partir desses grupos que são retratados no mundo das trevas.

Esse sistema teve muitas mudanças e hoje Vampiro: A Máscara retorna em sua 5a edição para a alegria dos fãs. A edição ainda está sem previsão de publicação no Brasil, mas já é muito elogiada nas principais páginas de RPG sobre o Mundo das Trevas. Outros RPG’s que tratam sobre vampiros são Vampiros Mitológicos (Editora Daemon), RPG brasileiro desenvolvido pela equipe de Marcelo Del Debbio.

O recente Desmortos, do autor Paul Riddle, chegou às terras tupiniquins e financiado no final de 2017, Sombras Urbanas e o Night Black Agents RPG. Já falamos sobre o último exemplo em um artigo anterior, na qual falamos sobre 4 sistemas de RPG do gênero horror que gostaríamos que fossem publicados no Brasil.

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Zumbis

Segundo a religião vodu – originária do Haiti – as criaturas que conhecemos como zumbis podem ser criadas através de rituais de magia. Os feiticeiros têm a capacidade de criar e controlar corpos de pessoas mortas a bel prazer como suas marionetes. A palavra “zumbi” é igualmente cercada de mistério, mas sua origem pode estar nos termos nzambi ou nzumbi, que, em alguns idiomas do oeste africano, significam “divindade” ou “espírito ancestral”. Tal morto-vivo causa fascínio aos espectadores de filmes e séries do gênero terror como The Walking Dead, Resident Evil e A noite dos mortos-vivos, por exemplo.

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No RPG ele tem participação em grande parte dos sistemas de fantasia medieval, sobretudo em aventuras que levam o grupo de jogo a visitar tumbas e cemitérios, enfrentar bruxos e necromantes malignos que usam da necromancia para profanar o descanso dos mortos, quase sempre com objetivos vis. Da mesma maneira que o descrito com os vampiros, personagens jogadores também podem se tornar zumbis e é interessante constatar que esse é um tipo de morto-vivo bem desprezado pelos sistemas, colocando-os como fracos e lentos. Mas e se algum jogador se arriscasse a jogar com uma criatura como essa?

Sistemas existentes dão possibilidade de criar personagens zumbis com certa consciência. O mais evidente é o Mundo das Trevas, onde há fichas personalizadas para o jogador criar seu personagem zumbi. Existe também o sistema Daemon, da linha Arkanun/Trevas que dá suporte a criar esse tipo de personagem e o RPG Terra Devastada também é bem interessante para criar seu zumbi consciente.

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Múmias

Os reis e nobres do Antigo Egito eram enterrados em sarcófagos e suas tumbas eram carregadas de tesouros e outros acessórios valiosos. A cultura egípcia dizia que qualquer um que profanasse o túmulo de um desses nobres, sofreria uma maldição terrível que poderia causar danos terríveis, inclusive a morte do profanador. Há lendas que são utilizadas pela cultura pop na produção de filmes e outras histórias. As múmias são figuras que trazem mistérios para os interessados na mitologia egípcia.

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Há o RPG Múmia: A Ressurreição, da extinta White Wolf. Apresentado no ano de 2001, a junção da mitologia egípcia com aventuras contemporâneas e a busca pelo equilíbrio entre o físico e o espiritual, colocando várias questões filosóficas para se trabalhar em jogo. Este é um título totalmente voltado para jogar com essas criaturas como personagens e uma ótima forma de conhecer um pouco mais da mitologia egípcia.

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Esqueletos

Esses são bem clássicos, os esqueletos são criaturas animadas através de magia de algum conjurador, que os manipula para servir ao seu mestre. Quase sempre são colocados como escravos ou somente para lutar sob as ordens desse chefe. A maior parte das vezes não possuem consciência, apesar de Spinal, a criatura do jogo Killer Instinct, ser um pouco diferente. No game, Spinal é um ser que foi trago de volta à “vida” por uma empresa através de experimentos científicos de regeneração das células, mas, nas versões mais recentes, é alguém que foi amaldiçoado e  busca um meio de finalmente descansar em paz.

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A maioria dos RPG’s que tratam de esqueletos convocados são na sua forma de guerreiros usando espadas e escudos, sendo comandados pelos mestres necromantes à lutar ou somente servir como escravos “sem consciência”. Jogar com um personagem transformado em esqueleto através de alguma maldição devido a um crime cometido ou profanação de tumbas sagradas, pode ser interessante para a interpretação na narrativa.

 

Carniçais ou Ghouls

Segundo a lenda, a criatura chamada Ghoul – ou Caniçal em português -, faz referência a um demônio do deserto que assalta túmulos, devora cadáveres e possui a capacidade de assumir a forma de sua última presa. A literatura antiga que traz a descrição dessa criatura é das histórias d’As Mil e Uma Noites. Em RPG, Carniçais são pessoas que tiveram o sangue de vampiros em seus corpos e passaram por uma transformação, tornando-os servos dos mestres que os “criaram”, mesmo que à força.

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Em Drácula de Bram Stocker, o personagem Reinfeld torna-se um carniçal quando este é hipnotizado pelo senhor dos vampiros. No sistema Storyteller ou a linha de RPG do sistema Daemon, há descrições bem interessantes dessas criaturas para serem usadas em sua campanha, sendo NPC’s ou personagens jogadores.

Apesar de obterem habilidades semelhantes aos seus mestres criadores, um ghoul não tem o mesmo nível de poder que quem o transformou, aumentando a dependência da criatura para com seu criador. O suplemento Antagonistas da linha New World of Darkness – Novo Mundo das Trevas ou Storytelling – também traz como criar um carniçal.

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Liches

Esses são os mortos-vivos preferidos dos narradores de RPG como vilões em várias campanhas medievais. São magos e clérigos que ficaram poderosos e, através de rituais profanos, se tornaram uma mistura de morto-vivo consciente com grande poder e imortalidade para realizar seus propósitos. Afinal, mesmo magos poderosos não escapam do tempo e da morte final. Entretanto, se fazem pactos com forças superiores ou rituais para estender a vida, há riscos de acabarem se corrompendo a um poder sinistro.

Quando um mago ou clérigo se torna um lich, ele precisa morrer e já deixar preparado o ritual necromântico para prender sua alma num tipo de talismã ou fetiche, objeto que sustentará sua existência para sempre. Enquanto esse objeto não for destruído, o lich existirá mesmo que seja derrotado milhares de vezes. Sua alma e corpo irão retornar após algum tempo e a criatura poderá continuar com seus planos normalmente, até se vingar de seus algozes.

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Fantasmas

A definição dessas criaturas é abrangente, pois podem ser divididos em espectros, poltergeists, assombrações, sempre associados à imagem de pessoas mortas, objetos ou locais assombrados pela energia conhecida como ectoplasma. Vamos falar um pouco de cada um aqui:

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Aparições: pessoas quando morrem de forma trágica e tem seus corpos abandonados ou enterrados em locais sem qualquer santificação, ficam presos ao plano dos vivos amargurados com tudo o que existe. Manifestam sua dor e ódio contra os invasores ou transeuntes do local que estejam assombrando, através de uivos e drenagem de energia vital e podem possuir o corpo de suas vítimas. Se assemelham com a aparência que tinham em vida, mas de forma decadente e terrível.

Distorções: esses são mais voltados para os locais e não são exatamente mortos-vivos rondando um ambiente. Na verdade, o próprio ambiente traz esse tipo de energia. É como se uma grande quantidade de energia ectoplásmica tivesse se acumulado e se tornado outra coisa, outra manifestação. Por exemplo, uma grande quantidade de pessoas assassinadas num tipo de ritual macabro se transformou em pura energia fantasmagórica e tomaram conta do lugar, trazendo vários fenômenos inexplicáveis no ambiente;

Espectros: são criaturas que têm a forma de um vulto negro, porém humanoide e com garras afiadas em suas mãos. Não há um rosto definido e passam o tempo todo flutuando e obedecendo às ordens de um espírito mais poderoso ou algum demônio. Se alimentam das emoções humanas, drenando sua força vital e conjuram criaturas e formas sombrias contra suas vítimas.

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Obsessores: espíritos mortos-vivos que possuem fortes assuntos inacabados e permanecem entre os vivos até que os realizem ou alguém possa ajudá-los a finalizar a tarefa. Uma referência a esse tipo de fantasma está no filme O Sexto Sentido (1999) e o romance Ghost: do outro lado da vida (1990) em que apresentam fantasmas com esse tipo de motivação.

 

Poltergeist: um tipo de fantasma que se manifesta no mundo físico de forma mais violenta. É a junção de uma “distorção” com uma “aparição”, pois possui uma forma aparente, entretanto, não pode ser visto facilmente. Esse pode levitar e arremessar objetos, controlando fenômenos do ambiente e atormentando quaisquer vivos que estejam no local e considerem seus inimigos.

 

Os sistemas de RPG mais conhecidos que falam sobre fantasmas como personagens ou desafios estão no Storyteller ou Storytelling e seus títulos, como Wraith: the Oblivion e Geist: The Sin Eaters. Nos títulos brasileiros, o mais famoso é do sistema Daemon com a linha Arkanun/Trevas, sobretudo o livro Spiritum, que também é totalmente voltado para jogar com espíritos, fantasmas, espectros, etc.

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Quais são seus mortos-vivos favoritos?

E vocês, quais tipos de mortos-vivos mais curtem em trabalhar nas suas campanhas? Preferem zumbis, vampiros e liches? Ou mortos-vivos incorpóreos, como os fantasmas citados acima? Talvez o famoso apocalipse zumbi precise ser mais apimentado com toda uma horda de mortos-vivos de várias espécies e tudo  o que a loucura do narrador quiser.

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http://hobbismo.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Spinal_Victory-1024x576.pnghttp://hobbismo.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Spinal_Victory-150x150.pngRick ValerioRPGMortos-vivos,RPGVampiros, fantasmas, liches... A morte não é o fim da existência para essas criaturas, mas o início de uma nova história. Monstros que são retratados como seres que se alimentam de carne humana, essência espiritual dos vivos, emoções e outras fontes de energia, levando suas vítimas para a morte...Tudo sobre seus hobbies em um só lugar!