Acreditamos que o RPG é um jogo incrivelmente imersivo, no qual cabe a imaginação do jogador sobre como seu personagem agiria em determinado momento, seja em ação de combate, tomando uma decisão difícil, interpretando conflitos pessoais ou mesmo ativando suas habilidades especiais, sejam elas golpes poderosos ou conjuração de magias e feitiços. Existem diversas maneiras de fazer isso, apresentamos uma situação de interpretação mais mecânica no exemplo abaixo.

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Exemplo 1:

“Vocês se deparam com os zumbis sedentos de fúria contra os vivos. O cheiro pútrido do lugar os faz ficarem enojados ao mesmo tempo que percebem os monstros devorando carne de algo que parece ter sido um animal de grande porte. O que fazem?

O clérigo: Vou expulsá-los. – Rola o dado e consegue um sucesso – Consegui!”

Nesse outro exemplo, apresento uma situação voltada para a interpretação:

Exemplo 2, que apresenta a mesma situação do exemplo anterior:

O clérigo: Oro ao meu deus do sol – “Pelos raios sagrados do amanhecer, que a sua luz eterna de meu deus expulse as crias das trevas de nossos caminho!”. O símbolo do deus sol que carrego em mãos irradia uma luz dourada intensa, o poder faz as criaturas do mal temerem e ficarem em pânico até se darem conta que estão se tornando cinzas.”  Nesse momento, o jogador rola os dados para conferir o dano nas criaturas.

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Como interpretar a conjuração de magias e feitiços no RPG

No caso dos usuários de magia, há variadas formas de se interpretar uma conjuração de poderes arcanos, divinos ou bárdicos, tudo dependendo da criatividade do jogador e do narrador com os NPCs. Enquanto mestre, valorizo muito os aspectos descritivos da conjuração de magias ou ativação de uma habilidade especial, além do simples rolamento dos dados para o dano ou efeito prático que causa no alvo da habilidade. Se o personagem usa componentes materiais ou descreve movimentos especiais, pronuncia palavras ou frases cabalísticas para a ativação dos poderes, ele se torna mais interessante, dando vida ao personagem, mesmo nos momentos mais mecânicos de um combate ou de uma situação que exige o uso dessas habilidades.

Como  interpretar um personagem que usa a habilidade para convencer os ouvintes do seu discurso que invoca o uso de perícias, como liderança, diplomacia ou afins, se o jogador simplesmente rolar o dado e disser frases sem contexto? Na frente de participantes de uma reunião política para decidir o que será feito numa missão de resgate, por exemplo? Se o personagem só rola o dado e não fala como foi o movimento do seu golpe para um acerto no alvo, tudo fica demasiado mecânico. Claro que não é necessário fazer isso repetidas vezes quando se faz o mesmo movimento.

Por outro lado, não é necessário repetir as mesmas palavras toda vez que for conjurar a magia bola de fogo, pois o elemento interpretativo já foi mostrado da primeira vez, mas um necromante usando seus métodos malignos para levantar os mortos se torna mais impactante no imaginário dos jogadores quando descrito de forma assustadora e poderosa:

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“O Rei Lich caminha pelo cenário da guerra que acabou com centenas de cadáveres em campo e começa a proferir frases e orações profanas aos deuses malignos. Cada passo que ele dá nos campos manchados de sangue, os mesmos começam a se mexer, de forma bizarra e emitindo sons de agonia, enquanto ouvem os cânticos das trevas:

-Etsi ten tenebris Mortis. Deuses da morte e das trevas, eu invoco teus poderes malditos e tragam-me soldados para vingar-se contra meus inimigos.”

Por que a interpretação torna sua aventura muito mais divertida?

Se torna um momento excitante e para os jogadores mais imersivos que apreciam a boa interpretação, pois o cenário fica mais palatável e a cena mais divertida, dando um certo asco ou agonia nos jogadores relacionado ao NPC e seus atos profanos. Porém, como tudo no RPG, deve-se dosar para não ficar algo chato com descrições muito longas, mas podemos perceber que isso também pode estar ligado aos estilos dos jogadores e da narrativa. Se pretende fazer uma narrativa mais voltada ao terror e interpretação, use e abuse das descrições e de forma que seja impactante.

Mas se a intenção é fazer algo com mais ação, uma descrição mais curta é cabível, mas tomando o cuidado para não deixar essa parte interpretativa obsoleta, pois mesmo na ação em combate ou em situações difíceis, a descrição e a interação interpretativa são elementos muito divertidos. O mesmo pode ser dito para quem curte algo mais voltado aos lampejos e raios coloridos para representar a magia como em Harry Potter. Para esse tipo de cenário, faça a descrição mais rápida e dinâmica com as palavras mais objetivas: Wingardium Leviósa para feitiços de levitação estão aí para isso!

Veja também:

E vocês? Comentem como gostam de interpretar seu uso de poderes especiais e a conjuração de magias ou feitiços? As palavras mágicas, cânticos e instrumentos místicos dão mais sabor aos seus usuários de poderes arcanos ou divinos? Comentem abaixo!

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