Ok, vamos falar sobre diversidade nos grupos de RPG. Assunto chato? Talvez sim… Necessário? Absolutamente! A discussão persiste em variados sites de conteúdo nerd e ainda há problemas a serem resolvidos. Mas podem estar se perguntando: qual o objetivo de falar mais uma vez sobre isso? Orientar? Tirar dúvidas? Esclarecer? Não! Na verdade é muito mais para a galera parar de ficar “só dentro de sua caixinha” e refletir sobre seus atos preconceituosos contra qualquer pessoa, seja por etnia, crença religiosa, orientação sexual ou gênero. Vamos parar que tá feio!

Existem inúmeras pessoas que se interessam em conhecer o multiverso do RPG, um jogo interativo e imersivo que permite ao participante ser quem quiser. Entre as infinitas possibilidades, você pode pertencer a uma raça exótica em um mundo mágico, ser um monstro da literatura gótica, um combatente futurista, guerreiro Jedi de Star Wars, personagens de anime, super heróis, enfim, uma gama de possibilidades de diversão.

O jogo é indicado por psicólogos e profissionais de educação por incentivar a criatividade, interação e imaginação, tendo tudo para ser o hobby perfeito onde não existem preconceitos de qualquer natureza. Mas será mesmo que é assim quando falamos de diversidade nos grupos de RPG?

diversidade-no-rpg-dinossauros
Monstros jogando com humanos. Qual seria a sensação? Via Piadas Nerds

Mulheres e RPG

Muitas mulheres se interessam pelo mundo maravilhoso do RPG para fugir um pouco da nossa dura realidade, mas acabam frustradas por sofrerem atos de machismo dentro e fora do ambiente de jogo, como já foi divulgado nas redes sociais diversas vezes. Podemos citar como exemplo o favorecimento do personagem da mulher por que ela se tornou interesse amoroso do narrador, imaginando que, em troca desse favorecimento, irá conseguir algo a mais com a jogadora em questão.

diversidade-no-rpg-niele
Niele, personagem de Holy Avenger. Fetiche masculino ou há alguma explicação plausível para vestir só tiras de couro?!

Também há ações colocando violência sexual com personagens femininos sem qualquer contexto, o desprezo pelo conhecimento dos personagens só pelo fato de estarem sendo interpretados por mulheres ou sexualização da figura feminina e até personagens femininos interpretados por homens. Podemos ver esses exemplos nas principais publicações do gênero colocando a mulher com roupas mínimas e hiper sensualizadas.

Claro que devemos ver a coerência das coisas: se guerreiros bárbaros enfrentam os inimigos com poucas vestes e armaduras, acredita-se que as mulheres também o seriam. Em determinados povos tribais, tanto homens como mulheres andam tranquilamente como vieram ao mundo.

O que queremos dizer com isso tudo é a necessidade de não sensualizar os personagens femininos nos cenários de RPG ou em vários outros jogos de videogame. E quando ocorre, devemos reparar se há contexto para tal ou desejo da jogadora ou jogador em questão, lembrando que o objetivo de jogar RPG é a diversão.

Se há momentos de violência excessiva no jogo, como em guerras ou uma mesa mais séria que essas situações são trabalhadas, é fundamental conversar com todos os participantes para saber como vão lidar com a violência abordada e respeitar os limites de todos, especialmente das jogadoras, para que haja mais expansão e sucesso do nosso hobby favorito.

Diversidade nos grupos de RPG: Homossexualidade e mídias nerds

Sobre a homossexualidade dentro do cenário RPGista, podemos citar variadas situações como ocorrem com as mulheres, mas diferente destas, é difícil ter alguma noção do público LGBTQ+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Queer) que jogue RPG. Por ser um grupo tão invisibilizado em alguns meios sociais, é raro haver dados sobre jogadores gays, lésbicas e afins que tenham alguma discussão sobre o assunto mesmo em sites que falem sobre o jogo.

Acreditamos que também seja por conta da falta de representatividade nos títulos que não considerem a questão como característica humana. Não conhecemos sistemas que tratem a diversidade sexual como algo existente no mundo ou destaque um personagem homossexual que possa ser referência para o cenário, um herói ou heroína, sobretudo nas ambientações de fantasia medieval, tema mais apreciado pelo público RPGista.

diversidade-no-rpg-casais
Cenas de beijo e romance gay e lésbico, já ocorreu algo assim em sua mesa de jogo?

No antigo sistema Storyteller, a questão foi mudada um pouco após o lançamento de Vampiro: A Máscara, onde a sexualidade existe, apesar de não fazer muita diferença. Destaque disso é que grande parte dos jogadores deste sistema veem o clã de vampiros Toreador como “vampiros homossexuais”, por conta de sua humanidade e ligação com a arte. Tal opinião ainda pode permanecer nos grupos mais engessados por preconceitos com a diversidade sexual, afinal, parece um pouco difícil algumas pessoas entenderem que um personagem pode ser gay, lésbica, travesti ou transexual sendo um vampiro Brujah ou Gangrel, por exemplo.

diversidade-no-rpg-vampiro
Imagem representativa do clã Toreador de Vampiro: A Máscara

Em filmes, séries e HQ’s a visão sobre o tema está mudando. Em Game of Thrones, vimos a relação do rei Renly e o cavaleiro Loras durante a trama. Na série Sense8, criado pelas irmãs Watchowsky – criadoras da trilogia Matrix -, destacam a tamanha diversidade cultural, étnica e sexual que existe no planeta. Personagens heterossexuais, gays, lésbicas e transexuais são mostrados de uma forma muito interessante tendo como pano de fundo a ficção científica muito bem abordada. Na série da Marvel Jessica Jones, a advogada Hogarth interpretada pela Carrie Anne Moss possui um casamento lésbico sendo também uma personagem influente na trama. Finalmente, em The Originals há o romance entre um vampiro gay assumido e um lobisomem.

Se até nos quadrinhos, séries e filmes a diversidade está sendo representada, por que não expandir a mesma em sua mesa, trazendo mais diversidade nos grupos de RPG? Jogar com um personagem homossexual não precisa de tratamento caricato ou servir como alívio cômico. Contar com personagens diversos pode aumentar os níveis de interpretação e maturidade do grupo de forma muito interessante e divertida, sem pôr em questão a sexualidade do jogador ou jogadora.

diversidade-no-rpg-nomi
“A violência que é realmente imperdoável é aquela que fazemos à nós mesmos!” Nomi Marks, personagem trans lésbica na série Sense8.

Isso apenas afirma a variedade de pessoas no mundo, e, mais ainda, respeita a diversidade sexual dos seres humanos independente da orientação de cada um, seja a sua própria ou a de outrem. E vocês, caros aventureiros, já jogaram com essas possibilidades de personagens? Sofreram preconceitos por isso? Que tal contar-nos um pouco sua experiência com a diversidade nos grupos de RPG?

Leia também:

http://hobbismo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/princesas-disney-rpg-e1423263563613.jpghttp://hobbismo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/princesas-disney-rpg-e1423263563613-150x150.jpgRick ValerioRPGDiversidade,diversidade nos grupos de RPG,RPGOk, vamos falar sobre diversidade nos grupos de RPG. Assunto chato? Talvez sim... Necessário? Absolutamente! A discussão persiste em variados sites de conteúdo nerd e ainda há problemas a serem resolvidos. Mas podem estar se perguntando: qual o objetivo de falar mais uma vez sobre isso? Orientar? Tirar dúvidas?...Uma fonte, muito conteúdo