RPG é interpretar sua personagem, é encarnar na existência do mesmo, independente da classe ou da profissão que pertence ou suas habilidades de combate, magias ou especialidades. A premissa está em pensar como o personagem pensaria, sentiria e agiria em determinado momento e situação, levando o jogador a não só escolher as ações ou rolar dados, mas interpretar a forma que o personagem tem de receber informações sobre seu passado, seja ele alegria ou medo no RPG.

É necessário incorporar as emoções do personagem ante o momento decisivo de combate, usando os valores de caráter e fazendo o que precisa ser feito. Claro que não podemos descartar o humor e os momentos leves que o jogador terá durante a partida de RPG e como seu personagem vai interagir ou conseguir informações, mas vamos tratar hoje sobre uma emoção muito explorada: o medo no RPG!

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O que é o medo?

Segundo estudos sobre a mente humana, o medo é caracterizado como “uma emoção conhecida pelos estudiosos como “reação de contração”. Se encontra incluída no grupo das emoções reflexivas e sua função é nos advertir sobre a presença de um perigo, seja de fazer ou de causar em nós algum dano. 

O medo nos permite avaliar qual é a capacidade que possuímos para enfrentar as situações que percebemos como ameaças. Se aprendemos a conhecer primeiro e a gerenciar o medo depois, experimentamos a prudência e afastaremos o pânico, a fobia ou da temeridade. Sendo uma das emoções mais básicas dos humanos, todos nós vamos conhecendo nossos medos e temores durante a vida e como o simbolizamos na nossa mente para lidar com ele.

Há pessoas que possuem medos em excesso e acabam desenvolvendo problemas emocionais variados como fobias e pânico de determinadas situações ou objetos que direcionam seu medo. Com base nessas informações, que tal usarmos o medo no RPG e trazê-lo à tona de forma divertida? Existem jogos que são voltados para o terror e horror, como Chamado de Cthulhu, usando o terror cósmico lovecraftiano para quem curte emoções fortes.

Como é tratado o medo no RPG?

Outros como o brasileiro Trevas conta com várias mitologias e descrição de sociedades secretas e conspirações de controle do mundo e de almas, tendo também sua base narrativa em ocultismo. O Crônicas do Mundo das Trevas (CoD) e antigo sistema Storytelling, hoje chamado de Novo Mundo das Trevas ou NWoD também insere os personagens no mundo sobrenatural. Ou seja, estes são RPG’s temáticos no terror ou horror onde o medo será usado frequentemente como impulso narrativo.

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Já em um RPG de fantasia medieval, acreditamos ser mais difícil essa temática ser trabalhada, tendo em vista que se trata de um jogo heroico onde se enfrentam vários monstros e criaturas gigantes, extra-planares, deuses e muito mais. Afinal, um guerreiro que fuja de medo ao visualizar um orc deformado ou um zumbi pode ser considerado um aventureiro fraco?

Geralmente, em RPG de fantasia, o medo mágico é tratado através de testes de uma característica chamada Resistência – ou Vontade, como é conhecido entre os jogadores de D&D, por exemplo. Quando o personagem falha em uma rolagem, é tomado pelo medo, causando uma redução mecânica em determinadas rolagens de ataque ou excluindo o personagem da cena de combate por que foi afetado pelo medo sobrenatural ou não. Tudo muito simples e fácil de entender, mas e na interpretação? Como o personagem o faz? Como é a reação além do simples grito e a retirada do personagem do mapa de batalha?

Como pode ser feita a interpretação do medo no RPG

“Narrador: -Ao visualizar a criatura profana que enche seu coração de terror, ele o faz recordar de todos os momentos em que esteve perto da morte, era como se toda a esperança no seu espírito de combate ou até mesmo nos patéticos deuses que você acredita te abandonassem e seus olhos começam a lacrimejar por que ninguém consegue saber como é a face da morte, mas agora você tem uma vaga ideia dela e tudo o que você deseja é fugir, sair dali. Tola criança assustada!

Jogador: O personagem começa a suar e seu coração acelera de tal forma que tenta sair dali, encarar aquele inimigo não parece ser tarefa para o guerreiro que antes se sentia o homem mais corajoso de todos e foge gritando e chorando como uma criança procurando seus pais.

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-NÃÃÃÃÃOOO! AFASTE-SE DE MIM! AFASTE-SE DE MIM!!!”

Esse é um exemplo de situação onde o personagem jogador foi afetado por uma aura de pânico do vilão e a reação do mesmo. Primeiro tivemos a descrição do narrador para o personagem entender como foi afetado pela “aura de pânico” do inimigo e, posterior a isso, teve a descrição do jogador e a reação do personagem, feita de forma interpretativa.

O guerreiro começou a fugir em desespero por que a visão do poder do vilão foi tão terrível que ele se encontrou sem força mental para enfrentá-lo.  Talvez esse oponente seja uma poderosa bruxa maligna ou a visão de um morto-vivo bizarro ou mesmo um magnífico, poderoso e imponente dragão vermelho que veio destruir a vila que é o lar do personagem, por exemplo.

Os personagens estão correndo dos bárbaros. Se eles os alcançarem, será o fim, pois não possuem mais forças para lutar. Correr foi o último recurso e graças à rapidez e conhecimento do terreno do ranger do grupo, vocês se deparam com um penhasco, lá embaixo, veem que há o mar batendo na muralha e nas saliências do penhasco.

Se caírem próximos à muralha, morrerão na queda, mas se conseguirem cair na água, há chances de salvação. Há 5 membros do grupo, mas há algo errado, o clérigo tem medo de altura, pois em seu passado, viu seu irmão mais novo cair de uma torre e não pôde salvá-lo, causando-lhe uma marca em sua mente com um grande medo de altura. Ele precisa enfrentá-lo agora!

Mago: Conjurarei a magia Queda Lenta para conseguir reduzir danos na queda. Infelizmente só tenho este feitiço preparado para uma ocasião assim. Sinto muito, amigos.

Guerreiro: Pro inferno! -E o guerreiro salta com sua armadura leve na esperança de conseguir chegar vivo na água.

Ladino: Sou um verdadeiro peixe, consigo nadar bem. Vamos, padreco!

Clérigo: Pela deusa da vida, por favor, me ajude! Eu não sei se consigo…

Ranger: Vamos pular juntos, eu te ajudo, clérigo. MAS VAMOS OU MORREREMOS!”

O segundo exemplo trata-se de uma fobia de alturas do personagem clérigo, ou seja, um trauma que sofreu em seu passado e reverbera em sua vida. Era um competente servo dos deuses com seus poderes de cura, mas é possível que seja tomado pelo seu medo de altura por conta da morte de seu irmãozinho.

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A reação do clérigo será qual? Paralisia frente a este medo? Não pular e ser atacado pelos bárbaros inimigos? Tentar orações para que seus medos diminuam? Neste momento, o teste poderia ser necessário, já que é um momento onde tem a decisão repentina do jogador frente a seu objeto de medo.

Como você interpreta o medo no RPG?

Como o jogador vai tratar isso? Ficando histérico quando pulasse? Ganhando mais um trauma? Caso venha a passar no teste, vai interpretar fechando os olhos para não ver onde vai dar esperando a morte certa? Há várias formas interessantes para descrever essa situação e tornando o objeto do medo como uma ótima cena de interpretação e tensão no jogo.

E você, como interpretaria uma situação de medo que não fosse somente a redução mecânica do desempenho de seu personagem? Conte sua experiência de jogo ou narrativa para nós e como a clássica bruxa Elvira, a rainha das trevas diz:

E PARA VOCÊS, SONHOS TERRÍÍÍÍÍVEEEEISSS!!!

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