“Mestre: E vocês veem no céu os alienígenas se aproximando em sua nave-mãe. As naves de guerra menores surgem como um enxame de abelhas protegendo a colmeia e vocês, em seus disfarces cotidianos, sabem que este é um trabalho para Os Vingadores.

Jogador 1: Sou Tony Stark e chamo a armadura do Homem de Ferro.

Jogador 2: Sou Thor, filho de Odin e pego a Mjolnir já invocando os trovões para atacar os inimigos.

Jogador 3: Viúva Negra está em cima de um prédio, pronta para pular em cima da primeira nave e roubá-la no intuito de adentrar a nave-mãe.”

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Essa é uma descrição típica de ações super empolgantes com seus – e meus! – heróis favoritos preparando-se para o combate contra os alienígenas. Qual rpgista, principalmente jogador, não quis incarnar na pele de seu herói ou personagem favorito de filmes, séries, animes, quadrinhos ou games? Como um apaixonado por séries, animes da Clamp e games como Final Fantasy, estou jogando atualmente uma adaptação deste clássico do Playstation para o sistema FATE. Também narro uma adaptação de Penny Dreadful para o sistema nWOD (Novo Mundo das Trevas), que possui regras interessantes para uma mesa com as temáticas de horror sobrenatural e investigativo.

Particularmente sempre tive vontade de jogar em cenários conhecidos como Cavaleiros do Zodiaco, Marvel, jogos da Square e a famigerada série Heroes. Através dos diversos universos que presenciamos, que vem o desejo de adaptar tudo o que nos empolga para uma campanha de RPG. Mas para quem acha ser fácil fazer adaptações coerentes para um sistema de RPG, é bom atentar-se para alguns pontos para ficar interessante e não fugir muito do que a adaptação do cenário propõe:

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6 passos importantes na criação de adaptações para RPG

1 – Converse com seus jogadores sobre a proposta da adaptação: você pode amar um determinado cenário e querer adaptá-lo, mas digamos que a sua paixão não é a mesma compartilhada com os ogadores. Se toparem jogar tal cenário, converse com eles o que pretende, o ritmo do enredo, dê alguma leitura e se possível cite exemplos nos quais os membros do grupo possam se identificar com o cenário, mesmo que não conheçam a franquia adaptada. Por exemplo: eu sou apaixonado por Penny Dreadful, o grupo que narro não vê a série, mas joga a narrativa e o feedback tem sido positivo. As referências que temos em comum para que se interessassem foi a Londres Vitoriana e o clima de horror sobrenatural investigativo. Mesmo que não acompanhem a série, a mesa já dura dois anos;

2 – Conheça bem o cenário a ser adaptado: é importante que torne o ambiente de jogo mais palatável possível da obra original, conhecendo bem o cenário, referências e a mitologia em torno da série. Não há como jogar uma campanha na Terra Média se não mostrar o clima de tensão e terror sob o olhar de Mordor, correto? O mesmo pode ser dito de uma adaptação de Final Fantasy VII que não menciona as consequências para a natureza do mundo quando a empresa ShinRa usa os recursos naturais do Planeta. É fundamental que o clima do cenário seja passado aos jogadores de forma que eles possam sentir que estão naquele universo, especialmente se tratando do cenário favorito de alguns dos fãs mais apaixonados;

3 – Conheça as regras do sistema de RPG: Antes de adaptar um cenário para qualquer RPG, deve-se conhecer o sistema e suas regras. Caso o contrário, a adaptação e os desafios a serem propostos aos jogadores poderão se tornar cheios de buracos, tendo que recorrer a leituras de regras durante a sessão para tirar dúvidas. Claro que isso não impedirá que dúvidas surjam, mas é obrigação do mestre, é necessário o mestre conhecer o básico do sistema para auxiliar os jogadores que precisarem, principalmente os novatos;

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4 – Dê liberdade aos jogadores de explorarem o cenário: sentir que estão jogando no ambiente adaptado é outro dos elementos básicos para uma campanha de sucesso. Se for interessante colocar personagens não controláveis – os famigerados NPCs – conhecidos para ajudar no desenrolar do enredo, o mestre possui toda a liberdade de colocá-los, lembrando que os jogadores devem ser os protagonistas, não estes personagens ou até mesmo o cenário no qual estão incluídos;

5 – Não se apegue muito aos NPCs conhecidos: pode parecer um pouco tolo falar sobre isso, mas uma coisa que pode frustrar os jogadores é quando o NPC preferido do narrador se torna um protagonista. Isso pode acabar tornando-o indestrutível ou servir apenas para atrapalhar o cumprimento dos objetivos do grupo de maneira exagerada. Se tiver um papel particular para tal personagem, coloque-o um pouco afastado durante um tempo e recoloque-o em cena quando for necessário que ele cumpra seu papel. Sempre dê mais valor aos atos, sentimentos e decisões dos personagens jogadores, sejam eles bons ou ruins.

6 – Dê liberdade a eles para interagirem com acontecimentos e personagens interessantes: Se todos conhecerem o cenário, dê um pouco de liberdade para que os jogadores interajam com acontecimentos e personagens da trama. É necessário que essa liberdade seja bem dosada para que não se torne muito exagerada. É sempre divertido ver um personagem jogador que tem uma amizade com o próprio Super Homem em um cenário de heróis da DC, por exemplo. Enfim, dê liberdade e espaço aos jogadores de também criar coisas interessantes para a adaptação.

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Já criou alguma adaptação de obras famosas para o RPG?

Estas são algumas reflexões e dicas sobre adaptações de seu cenário favorito para o sistema que escolher. Com alguns ajustes e muito diálogo com seus jogadores, é possível tornar a experiência de jogo muito mais divertida dentro do ambiente que sonha jogar há muito tempo. Já fez alguma adaptação de franquia famosa para o RPG? Como foi a campanha? Conte sobre sua experiência criando adaptações para RPG logo abaixo!

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